Segunda-feira, Janeiro 02, 2012

Sexta-feira, Dezembro 30, 2011

.012

um cara me disse que existe uma fenda no estádio do canindé para outra dimensão. abre uma viagem metafísica, chance de viver experiências diferentes dessas todas possíveis com a cabeça cansada do cotidiano.

lá, segundo uma lenda antiga, está enterrado um trator.

neste berço de histórias insanas, sinificado psicanalítico não falta para acreditar na possibilidade de mudança.

- precisamos enterrar tratores.

pensei alto, ainda em 2011.

Quarta-feira, Novembro 30, 2011

le récit de la journée

ela cantava com o toca-fitas.

sei
o tempo errou
me derrubou
me consumiu
me deixou surdo.

e o que ficou na ausência de futuro?


não sabia da premonição. não sabia de nada porque no dia em que se vive alguma coisa séria ninguém pensa na vida. as ruas do outro lado da cidade estavam vazias, os poucos bares pareciam gélidos, era uma sexta-feira que não aconteceria em qualquer outro lugar do mundo. ela ria. achando quase tudo inteligente. ele não fumava, ela dirigia.

- onde vamos agora?

- não sei, tá tudo fechado.

- a gente pode ficar só rodando e ouvindo música.

- nunca vi a metade dessas ruas, sabia?

- nem eu, mas tá legal.

pararam na margem do rio, ele bebia e a espiava um pouco, coisa de olhar rápido enquanto desatava algum assunto bobo. ela, do nada, andou até um bico de luz, abaixou-se e mijou no chão. parecia louca de tanto que ria voltando correndo da casinha abandonada.

- que foi isso? tá maluca?

- queria ir ao banheiro, ué. aqui não tinha.

ainda rindo por achar engraçada a situação, mas também por vê-lo desacreditar de tudo aquilo. beberam mais um pouco, ela contou uma história da mãe, outra do pai e ainda outra dos dois juntos. ele lembrou de um fita que faltava ouvir e voltaram ao carro. só duas ruas até as amendoeiras onde estacionaram definitivamente. ficaram no carro.

- sabe que eu falei de você para a cristina?

- que cristina? aquela sua amiga?

- é sim.

- falou o que?

- que gosto de você.

- você gosta de mim?

- gosto.

se eu pudesse te ver sem derreter
não iria haver
adeus.


continuou a girar no toca-fitas.

Segunda-feira, Novembro 28, 2011

seis anos

hotel chelsea nights.

desde 2005 cheio de vida e espaços para colorir.

Sexta-feira, Novembro 25, 2011

nunca é nada #2

- alô.

- sou eu, tive que te ligar, fiquei com muito medo agora. o que a gente faz? será que vai dar certo?

- calma, hoje foi ótimo, tenho certeza que vamos acabar na islândia.

- você me leva pra islândia? jura?

- levo, prometo.

- tudo bem, me liga amanhã?

- ligo, assim que acordar.

Quarta-feira, Novembro 23, 2011

nunca é nada #1

- conversei com o rafael hoje, eu nem sou amiga dele, você sabe, mas disse que não consigo aguentar essa história da sua viagem no final de semana, que não sei o que faço...

- onde você está?

- no trabalho, não aguentei, tive que te ligar daqui pra falar isso. você volta pra mim?

- mas calma... é isso mesmo que eu to pensando?

- é sim. quando você voltar a gente conversa? eu acho que eu te amo mesmo, não tem jeito.

Quinta-feira, Novembro 10, 2011

tudo continua

parece o início. não sei quem sou agora mas acredito na vaga ideia de quem fui nesse passado escondido. alguém aí lembra do cara que escrevia o chelsea nights? ele existiu, eu juro, mas não somos mais tão íntimos. quase não nos vemos, na verdade.

dois anos na casa nova. caiu a ficha depois de voltar do avião que eu sempre acho que vai cair. dois anos quase inteiros de um cara novo que ainda não conheço, não sei descrever e infelizmente não tive tempo e disciplina de documentar. tudo que não era forte já foi para a lata do lixo e a vida nova só guarda algumas neuroses, essas sim, eternas. tudo bem, é preciso conviver. na verdade é preciso vivenciar. aproveitar tudo que foi construído com a cola do sólido e do relevante. a sensação de só poder melhorar, sabe? falar disso é como tentar cuspir um início tímido de elaboração, a mais difícil delas até aqui.

não sei qual é a história, mas vou tentar inventar. prometo.

Terça-feira, Novembro 08, 2011

Segunda-feira, Setembro 12, 2011

anotação

até o colorido mais raro
se despede de mim, como um raio
e eu querendo azul

f.g.

Terça-feira, Agosto 09, 2011

verbalizando

ela pensa, sente e não diz.

o buraco fica ali exposto, quase pulando da pele quando a dificuldade de dizer o necessário é explícita, praticamente vergonhosa. existe motivo, qualquer um entenderia, mesmo com a pena de perder o momento importante. ou adiar.

existe uma luz que vem da padaria, tudo ali parece preparado pelo destino para o momento que não vai acontecer, um pequeno movimento com corpo já seria suficiente para modificar toda a lista de impossibilidades levantadas ao longo das duas semanas até aquela noite.

Quarta-feira, Agosto 03, 2011

the day i lost my voice

I've got my life in a suitcase
I'm ready to run, run, run away

Sexta-feira, Julho 22, 2011

mulher, mulher

(cinco horas e quarenta e dois minutos)

- eu preciso ir embora.

- precisa mesmo?

- acho que preciso.

- acha que precisa ou acha que deve?

- acho que devo. sei lá o que eu acho, na verdade.

- então você vai?

- vou. minha viagem é logo pela manhã.

- e você quer ir embora?

- não faz sentido ficar aqui.

- você não respondeu se quer mesmo ir embora.

- não, não quero. mas vou.

Quinta-feira, Julho 07, 2011

não mora mais ali ou de natureza prosaica

alguém de onde não veio novidade, recado, sentimento, telefonema, carta, bilhete rabiscado, pedido de socorro, nada. não existe além das páginas amarelas. impossível imaginar vida reservada ao ponto da felicidade, do recolhimento, auto exílio que não me engana, ou vai querer me convencer que não existe por aí aquele buraco da angústia de qualquer ser humano normal, ainda mais com todo esse tédio do espaço vazio, branco e iluminado. sem filme, sem disco, sem nada. vai me dizer que tem tudo? vai falar que o que falta é compensado com amor e revista caras? no meio do nada qualquer coisa deve servir pra sala de espera, eu sei. a vida passa e tudo vai terminar em um acidente vascular grave. aqui ou aí. nem adianta duvidar.

ouvi dizer que na ilha só existe uma cadeira. as pessoas marcam, sentam, choram suas pitangas e pagam. e quem está do outro lado? também chora? também paga? bem que alguém poderia fazer o papel horroroso de me contar, atravessar essas suas histórias de felicidades e piratas, já que como outsider, preciso tirar o chapéu, que vitória incontestável em não existir, em silenciar transformando o mundo nessa budapeste que chove eternamente, sem notícias nem homens de coragem, só idiotas que falam demais. assim, exatamente como eu, sabe? parabéns, liberdade é a sua não-palavra.

Segunda-feira, Junho 13, 2011

I know this world is killing you

- o acaso sobre qualquer coisa, o acaso como religião.

você dirá e talvez nem saiba. o roteiro é meu.

e com seu vestido de festa podemos passar algumas horas na rua estreita que corta tantas outras ruas, maiores ou menores, a música que precisamos nos alto-falantes, abafada pelo ambiente que torna tudo mais desesperado e leve, porque vontade não é necessidade, vontade é a certeza do impossível na boca da realização, e ganhar um impossível de presente é valer-se de estar vivo e pronto para a vida, oportuno e transformador, aproveitando o que ninguém sabe que é maravilhoso como o diabo. tudo pode acontecer quando vontade é destino.

estar ali seria invadir madrugadas de um tempo que nos entenderia, como elvis costello cantando para você voltar do banheiro, rindo com a clara certeza do meu desejo, do subtexto que existe em querermos o mesmo, e rápido deixamos as coisas acontecerem como o tempo quiser escrever, querendo mesmo é que venha o inacreditável, capricho de quem aproveita o prazer a dois como realização individual da fúria, fome, sorte, não existe coisa óbvia ou passada que nos represente em vontade, não existe verdade que traduza querer demais, ansiar, babar como um louco que entra em teu corpo como o próprio demônio, com certeza e loucura de quem aperta a carne pensando no tempo, aquele da ânsia até este instante chegar, o dedo correr e a vontade passar.

desapertando, despedindo, realizando o corte simbólico.

- se você resolver continuar, eu quero.

ainda dirá.

Quinta-feira, Junho 02, 2011

Quarta-feira, Maio 18, 2011

conclusão

sou tarado pelo exercício amador da autopsicanálise.

Segunda-feira, Abril 25, 2011

organizado e pronto

um longo processo e estamos aqui, na curva antes de outro dia começar, azul, vivo, possível, se faço silêncio é só por enquanto, esperando cheguei muito longe e nada parece pouco visto da parte superior da cidade. o céu de prédios íntimos.

Terça-feira, Março 29, 2011

necessidades

necessário é dizer que podemos dirigir esse instante, fotografar em movimento as pequenas imperfeições de organismos vivos, existir é a possibilidade de realizar, o espaço em branco existe e é só preencher com vida ou palavras, um esforço relativamente simples, mais simples com palavras do que com vida, vida tem sangue, tempo, esforço, amor, ódio e um caminhão de pequenos desvios. com palavras o exercício é evitar o possível, só assim dirigimos nossos próprios sonhos, nossos quase filmes.

Quinta-feira, Março 03, 2011

o fim quase sempre volta

as cadeiras do cine íris na loud! em 2002, fanzines que devem estar em algum lugar no armário, dia dos namorados no odeon, tudo que a bunker foi e o show de ano novo em 2003, maldita de aniversário da pitty, a quem?!, o sintonia, ilusões de indústria fonográfica, os los hermanos inaugurando o odisséia, london burning ou o tempo normal em um bom início de século.

esse tipo de coisa.

o rio fanzine acabou. a maldita termina na segunda-feira. enfim, vida que segue que todo mundo trabalha muito cedo na terça.

Terça-feira, Março 01, 2011

processo de woody em anotação simples

você não consegue dizer: estou satisfeito com isso?

consigo. consigo dizer isso com um filme. consigo dizer: este acabou ficando um bom filme. na verdade não sei como as pessoas reagiram ao filme, porque faz anos que parei de conferir, me se gostaram, ótimo. se não gostaram, não me importa muito, não porque eu seja indiferente ou arrogante, mas porque aprendi tristemente que a aprovação deles não afeta a minha mortalidade. se faço alguma coisa que sinto que não é muito boa e o público aceita, até entusiasmado, isso não atenua em nada a minha sensação pessoal de fracasso. por isso o segredo é trabalhar, se divertir com o processo, não ler a respeito de si mesmo, quando as pessoas estiverem falando de cinema mudar a conversa para esportes, política ou sexo, e continuar suando a camisa.
além do dinheiro - nós somos ultra bem pagos -, as chamadas gratificações são todas vaidade e tomam tempo de trabalho criativo. mas, elas podem levar a ilusões de grandeza ou sensações errôneas de inferioridade.

(woody allen)