Quarta-feira, Novembro 11, 2009

portrait of my sweet love

Terça-feira, Novembro 03, 2009

verso-pessoa-verso

acho que por ter uma relação estranha com a poesia, não imaginava a admiração que tenho hoje por alguns poetas nacionais, caras que resolveram ser essa coisa quase que impossível, maldita de tão estuprada que foi a poesia por quem gosta de poesia, eles são poetas em um país burro e cego para a arte, onde o público desse tipo de literatura não passa de meia dúzia, a qual não me incluo, ou um aglomerado triste de secundaristas e velhos médicos de cidade do interior.

aqui não se lê nem prosa, imagina poesia, e eu não me coloco como diferente nesse quadro, quase não leio e se hoje tenho contato mais próximo com alguns desses poetas, é direto com a obra, a vida, a revolução que cada um representa para a nossa estética. leminski e torquato neto são figuras pop que o brasil não descobriu ainda, pelo menos não como merecem, porque nossa arte com eles é melhor, realiza um projeto de liberdade que é nosso por natureza, de vontade e realização. ser poeta no brasil é ser genial ou idiota. os gênios são poucos, talvez não passem de dez felizes exemplos da revolução pessoal da vontade.

dizendo assim parece pouco.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

então, então

com o tempo as coisas se ajeitam. o dinheiro aparece, a cabeça descansa, o feriado chega, as escolhas aumentam, a paz parece reinar. pode ser.

tudo pode ser. já reparou?

é bom quando a sua vida anda, anda, anda, você conhece pessoas, vive coisas, viaja, faz sexo, faz bobagem, briga com amigos, inimigos, amantes, amantes de amigos, deita e quando acorda as coisas mudaram, aí você tem um blog pra escrever isso, isso de que tudo pode ser. tudo pode ser quando você ainda tem escolha. tem gente que não tem mais escolha, se fechou em algum ponto da vida e fudeu, não vai mudar, dali não vai sair, a cabeça perde uma chave porque você está apaixonado, ou cego, ou agora tem um filho, ou um casamento, ou outra coisa séria, que você leva tão a sério, e fica preso, travado naquilo, e nessa o marido trai, a mulher finge que não vê, ninguém é tão feliz mas vai levando, e tem o lance dos filhos, do trabalho, da cidade, dos pais, da falta de vontade, da preguiça, porque porra, mudar dá um certo trabalho, trabalho esse que você prefere deixar pra pensar na terça, depois do feriado, mas pensar só de leve, quando estiver no momento triste, antes da sobremesa, antes de voltar para o trabalho, quando alguma coisa química baixa no cérebro, cai e você lembra que está levando a sua vida, ou deixando ela te levar, tem gente que até se orgulha, vai ver faz algum sentido, mas no momento só agradeço por ainda poder mudar. por me sentir ainda livre.

as pessoas ficam e eu sigo, egoísta de tão eu.

Terça-feira, Outubro 20, 2009

sobre como termino de plantar

vivendo dias sem o sono necessário. madrugadas e ônibus, pedaços de frases em músicas semiacabadas, responsabilidade com coisas que não parecem tão nobres, a vaidade alheia, eu, incompleto e meio sujo, derrapando na lama do dinheiro que preciso, aprendendo a amar como adulto, tentando aprovar documentos, assessorar os mais bem pagos, guardar em caixas de papelão o que juntei de 2004 pra cá, pouco valor agregado, muito afeto estabelecido, e sou um dono zeloso do meu passado e também do futuro. que ainda não é meu, mas será.

por isso aguento o peso, a andar que cansa, as pessoas que são só pessoas, os dias que perco, as horas que passam no vazio desse lugar inútil, aguento porque falta pouco, aguento porque é no final desse buraco escuro que vejo o fim do quase eterno 2004-2009, ano em cinco, ano de ir e vir, para no fim disso tudo colher um fruto mais forte do que sou eu mesmo. poderia até sofrer, mas fortaleço. poderia não entender, mais isso já aconteceu no início.

hoje sou final de ciclo. sou quase inteiro.

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

o amor perfeito é o incompleto.

o amor completo é fundamentalmente imperfeito.

e ambos são necessários como experiência de dor e plenitude.

respectivamente.

yin e yang.

Domingo, Outubro 11, 2009

casa-estranha

voltar ao lugar onde outra vida aconteceu é uma experiência estranha. já esqueci nomes, pessoas, lugares, e algumas coisas estão no fundo da memória e precisam ser buscadas com cuidado, já que o passado é um espaço que parece não me pertencer, não me dizer respeito, guardo apenas fragmentos de amizade, cuidado, carinho, vergonha, fragmentos de amor fora da data de validade. ando hoje por ruas menores que as que ficaram na cabeça, casarões afetivos destruídos, amigos casados já são pais, outros ainda moram na casa da mãe, na verdade não são mais meus amigos, aqui só restam os amores familiares, os amores maternos. não me reconheço na pessoa que fui até os vinte anos, só guardo as leituras, os filmes, o vhs didático, a descoberta da vida que viria no futuro. acho que tudo mudou em uma noite de sexta-feira, de outubro como agora, ou novembro, sean lennon tocando no rio, ao vivo na minha tv, entre tantas outras coisas que mudaram o que sou, o que poderia ser, mas mudei e foi preciso, um processo de oito anos, ciclo complexo, difícil de carregar nas costas, contado aos pedaços por aqui e com cortes, amadurecimento que quer dizer redenção, sou outro, mais forte do que o cara que um dia partiu, dilacerado, agora a vida chega na esquina. e tudo é tão novo quanto um belo adeus.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

#5

uma paixão vazia. algo que não foi concebido para ser natural, ou fácil, ou justo, ou adequado as convenções básicas de gênero. atitude vaga, de loucura e desordem no sexo, janela iluminada, sem tecido pra cobrir o sol ou a visão dos outros prédios, vão, desajustado, doentio como qualquer paixão pela arte. ela o deseja como deseja sua realização estética, como ama a fotografia, a luz, a miopia do walter carvalho; ele a deseja como deseja os ruídos, a ambiência, a cegueira do stevie wonder, eles são juntos mais que beijos, encontros, sexo, esperma, suor. parecem vida em 24 quadros. quando estão juntos. o destino não pode negar a força da luz natural. identidade de movimento e barulho, para não ser faulkner pela milésima vez. nem som, nem fúria.

querendo contar mais sobre os dois, recebo os espíritos do impossível, o platônico é patologia que pode ser dádiva também, minha dádiva na experiência do branco dos peitos dela, visão que não se apaga facilmente, da cabeça ou do sonho, volta em outra frase de outro texto, diz o que seria o mundo se ele fosse perfeito, o mundo seria bem parecido com os seus seios.

lindos, minúsculos, brancos.

peitos ideais.

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

#4

parecia o sol do outro lado dos olhos. a pele clara, tão mais clara que qualquer outra que pode-se ver pela guanabara. não é daqui. poderia ser bahia, pernambuco ou minas gerais, mas acho que não, sinto que o reflexo branco em seu seio tem endereço, história, caminho, trajetória, e no meu cinema imaginário sorri com sabedoria que não é sua também, sabedoria futura, potencial de transformação em musa, helena ignez do sonho, melhor seria, melhor será, fotografada em anos 70, falando em vinte e quatro quadros, obsessão de imagem, minha, quero que ela seja um dia como eu penso, como imagino que seja provável. como vejo o que ela ainda não é, escuto o que não diz, mas poderia, no futuro em ruas de paralelepípedos e casario, viajando, e eu seria o velho que ensina o sexo. tarado assumido de mim. do sonho dela.

de nós.

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

fossa'n'blues

eu viera para o rio em maio de 66 e, depois de morar no apartamento de alex chacon em copacabana, mudei-me para o "solar da fossa", como foi apelidado o precursor dos apart-hotéis no rio de janeiro. era uma velha casa de fazenda que tinha sido transformada num conjunto de apartamentos, com uma portaria de hotel barato e um mínimo de serviço de limpeza e arrumação de quartos. enormes corredores, ao longo dos quais se alinhavam os apartamentos, circundavam um jardim interno. a proprietária (ou aquela que todos tomavam por tal) muitas vezes estava na entrada, por trás do balcão, com os cabelos oxigenados e fumando um charuto. mas essa descrição - ou o apelido que o solar ganhou - não deve levar à crença de que se tratava de um antro deprimente. ao contrário, tudo ali era limpo, alegre, arejado e parecia sólido. e a visão da proprietária de charuto entre os dedos mais sugeria a elegância excêntrica de uma personagem de filme alemão. (caetano veloso)

Quarta-feira, Setembro 16, 2009

love is hell pra dançar na off-bienal



OFF-BIENAL

ROCK + TEATRO + LITERATURA
55 autores / 20 horas de programação / 3 endereços

O Baratos da Ribeiro, sebo que adora um fuzuê, uniu forças à editora e livraria da Lapa, Espaço Multifoco, para oferecer um plano B para quem quiser fazer do seu SÁBADO, DIA 19, uma maratona literária – sem precisar se deslocar para a Bienal dos Livros que acontece naquele distante e ermo lugarejo chamado Barra da Tijuca. A editora Mojo Books lança seus autores no:

CINE LAPA – R$ 10,00 até 1h
(Rua Men de Sá, ao lado do Asa Branca)

23:30h
Lançamentos da MOJO BOOKS
na pista 2 (BACK TO BACK) da festa COLLEGE ROCK. Na pista 1 os DJs Eduardo Mulder, Renato Jukebox e Guzz The Fuzz fazem um duelo entre bandas da “velha” e da novíssima guarda, no especial “The Good, The New & The Old”. A pista do segundo andar contará com os DJs residentes Lepaux e JF e quem dará o tom são os autores da MOJO, que “tocarão” seus livros:

Manoel Magalhães (Love is Hell, Ryan Adams)
Rafael de Souza Luppi Monteiro (Evil Heat, Primal Scream)
Rodrigo Novaes (The Trinity Sessions, Cowboy Junkies)
Daniela Lima (Live forever, Oasis)
Luíza Zanuncio Briard, autora de 4 singles.

Programação Completa:
www.baratosdaribeiro.com.br/eventos

Terça-feira, Setembro 08, 2009

#3

o sol foi embora e só esperei a noite chegar, com ela pedindo outra cerveja, e outra, contei de tudo que quero e que faço, ela ouviu, cara de atenção, sorria nas pausas, disse como imaginava a espera de um disco, os detalhes, o tempo de amadurecimento do sonho, ela sonha cinema, sempre que pode, escreve cinema pra viver - pura prostituição, ela diz, quando não é o seu cinema, quando é por dinheiro, ela, vestido de cor-não-cor, quer a liberdade de ser solitária. de não imaginar como é, antes de ser, de realizar o que for, exclusivamente, necessidade.

vontade, desejo bruto, assim como aceita visitar o chão da minha casa e encostar o vestido de preto-e-branco na poeira acumulada pelo quarto, depois os joelhos e já estamos na janela pra cuspir a fumaça do último cigarro que ela encontrou na bolsa, olhando as nuvens carregadas desabarem lá fora, chove e nós sonhamos, literatura, do meu lado, cinema, do dela. somos encontro.

somos hoje.

Segunda-feira, Agosto 31, 2009

#2

vazio. o vento correndo pela orla e ela com os olhos, em tons de caramelo, perdidos no espaço interminável do mar. usa um xale azul e fuma, dizendo em pausas toda a narrativa de um filme para dois atores, feito em 16mm em qualquer cidade cercada por concreto - são paulo, nova iorque ou tóquio - pessoas por todas as partes, ruídos no microfone ambiente, a conversa dos dois, entre bares, avenidas, luzes de publicidade, fotografia clássica de película na cores do vestido da garota e da jaqueta surrada do rapaz, patrícia conta o roteiro com a felicidade de quem acredita na transformação que é realizar. fala da cena de abertura com os dois atravessando uma vila onde pessoas entregam pizza, carregam vitrais, senhoras lavam roupa, cuidam de crianças, entre bancas de jornais, vagabundos e senhores jogando cartas.

bem robert altman, ela diz, dentro do meu sonho.

Terça-feira, Julho 21, 2009

#1

a luz que agora corta o tecido negro do vestido não mostra todos os detalhes, ela, white album dos beatles, all star sempre branco, pintas nos braços de uma pele na tonalidade exata do sonho, da vertigem, do desejo que me tira da estrada perfeita. é vontade de fugir, de roubar, de ser o estranho de mim mesmo, outro cara, o que perambula pelas ruas vazias na madrugada da zona norte, perdido, pensando em livros de viagem, com vontade de ser abandonado e chorar por toda parte onde ela não esteja, perder a medida, a paciência, telefonar a madrugada toda para o outro lado do atlântico, entender o que nela existe de melhor.

o que pode ser só construído nestes olhos de louco, olhos que adoram enxergar em seu corpo minha própria luxúria, vontade que esmaga o bom senso enquanto quero tocar-lhe os cabelos, no meio do salão escuro daquela noite, fotografia em cor de cinema, querendo que o mundo acabe no hotel perdido da esquina, com tudo que tenho a dizer, os dois bêbados correndo os bares, falando demais e querendo carinho, existindo, antes de qualquer pensamento, antes da culpa, por uma noite ser isso nos bastaria. talvez duas. talvez acabasse em desgosto, sofrimento ou em mágoa. e seria então eterno. o verbo. seria.

Domingo, Julho 19, 2009

prontuário do platônico

prontuário: livro, manual que contém fórmulas e indicações úteis de modo a achar prontamente o que se quer saber.

platônico: o que é puramente ideal, casto, relativo à escola e filosofia de platão, utopia ou idealização.

Sexta-feira, Julho 17, 2009

hotel que recusa ser espaço. não opina sobre música, vida alheia ou qualquer outro tipo de coisa. centenas de pedaços de vida, de dia, de vontade, letreiro de uma pessoa, sem bula, pedaço de alguém, recorte mínimo de encontro, de sonho, de exercício do pensamento sobre existir e representar, quando não acontece exatamente como foi é porque não pode ser equivalência o que importa, nem vida como ela é (pra ficar no campo do paralelo com o representar de outro), risco de fazer o que quer, odiar e amar o que vê, mais até do que vive. sentindo pode-se até acreditar no que não acontece. lugar de confeitaria, artesanato e nunca arte, contradição no que está aqui e acaba ficando com o outro lado. o que é meu sonho vira sua imaginação, seu olhos, seu jeito de me enxergar no espelho, bonito ou feio, apaixonado ou maldito, sou eu pra mim e pra você de outro jeito, mesmo os que estão aqui não são, são mais, são melhores. porque a vida pode ser melhor e não é, apenas por alguma razão estranha, por algum descuido, ou azar, que vai ver só acontece comigo, mais a verdade é que não sai, não acontece a hora certa, nem o vestido de cor, nem a primeira escolha, a narrativa da vida é a incerteza pura, diagonal, mesmo quando toda a energia desaba sobre a vontade existe o espaço que é movimento, física pura, não se sonha ao mesmo tempo que vive, sonho agora, vive é verbo futuro, mesmo não fazendo sentido é fato, e não é igual. nunca é igual, mas acontece.

essa aqui é a prova. diária e redundante de tão minha.

Segunda-feira, Julho 13, 2009

com a alma nas costas

vontade de um cigarro, pensamentos de organização para a vida, noite de gente estranha com clima jazz, ele vive em tempo real e a vida parece uma esquina onde não se entende o caminho, não se entende a receita, a cautela, onde só a surpresa diz o que é vida de verdade. quer o possível, o realizável, mas também quer o sonho, o delírio, a avenida aberta pela noite com vestido de festa, a sorte caindo no colo com presentes de cabelo amarelo, a madrugada em são paulo, os telefonemas, a loucura em geral.

quer ficar debilitado, perdido, mal-amado, quer ouvir os que difamam, encontrar as bêbadas com classe e pernas grossas, de quatro contra o chão do prédio de dois andares na vila madalena, ele quer as que sofrem por amor, as que choram abraçadas ao conhaque de alcatrão, maquiagem escorrendo pela cara, madrugada de café e pão na chapa, quer o sexo pulsando enquanto sente a vida voltar a correr pelo sangue, a roupa jogada na sala pela manhã, o final de tudo parece sempre inesperado. dádiva, imprescindível, dádiva.

Terça-feira, Julho 07, 2009



a banda de um homem só - por natalia valle

Terça-feira, Junho 23, 2009

vinte e quatro quadros

tomada dois - corte seco - de roxo, lendo um livro qualquer, olhos focando as letras com dificuldade enquanto se distrai dos olhares em contra plano. chove e ela não presta atenção também ao que acontece do outro lado da janela do ônibus. o som embolado entre pingos, asfalto, a música dos alto-falantes e o ar condicionado, não desvia o seu fluxo de pensamento. é uma ilha observada em silêncio por todos.

o mundo não existe, mas ela representa. muito bem.

Sexta-feira, Junho 12, 2009

12 de junho

dia de verbos. esperando um número restrito. a chuva cai e o frio pode entrar pela janela que já não me importo. sinto. deixo. hoje aproveito o tempo de questionar com outras atividades, o café, a guitarra, o violão vivendo uma reforma, o dedo cortado quase não sangra. outro verbo. depois enfim budapeste. meu amor no museu da república. jantar como velas pequenas e vinho. tudo que não sei, mas vai acontecer.

mais um dia na transformação que é longa, que acontece desde sempre, ritual, rito de mudança, querendo que o acaso jogue a favor e tudo faça sentido. ou razão inventada depois do sonho. dia de destino. vida. ainda. mesmo que com data indefinida. toda possibilidade é vida. ainda, agora, sempre que a experiência passar por mim, sempre que ela me diz respeito. é minha. meu jeito de assistir o dia.

12 de junho. dia dos namorados. existe. é dia. lá fora. ainda.

(para ana carolina ramos slade)

Quinta-feira, Junho 04, 2009

medida do possível

os cartazes serão enormes e com textura, espalhados pela parede parecerão um sonho quando alguém dorme mais cinco minutos de atraso. apartamento de muito espaço, o sol entrando pelo fundo do quarto, flores pro chá ou almoço fim de tarde, os livros empilhados no meu estúdio, na nossa cama e guarda-roupa, na sua mesa de centro. cortinas pela sala, eu chegarei atrasado de algum passeio, a história esperando tradução, a água do café ferve com o fogo sempre baixo. sem pressa de mudar. sem pressa de ser ou estar.

um minuto e eu já vou dormir. em cores. agora.